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Haiti: Organizações sociais pedem cancelamento de dívida externa

Terça-feira, 26 de janeiro de 2010 - 11h46min

por ADITAL - Karol Assunção - Jornalista da Adital

Após o terremoto que atingiu o Haiti no último dia 12, organizações e entidades sociais de todas as partes do mundo enviam doações para ajudar na reconstrução do país. Preocupados também com o futuro da nação caribenha, organizações sociais reuniram-se, hoje (25), em Montreal, no Canadá, para lutar pelo fim da dívida externa e da militarização estrangeira no Haiti.

Em carta divulgada hoje - assinada por mais de 100 líderes, movimentos, organizações e redes sociais -, os firmantes pedem aos governos e às organizações internacionais a anulação incondicional da dívida externa do país caribenho. De acordo com o comunicado, o pagamento de tal dívida "afeta milhões de vidas humanas".

Segundo informações da organização Oxfam, a ideia é pedir o cancelamento de US$ 890 milhões. Para ela, a recuperação haitiana pode ser comprometida por conta da dívida e da crise alimentar que levou o país a importar cerca de 40% dos alimentos.

Além disso, tanto a Oxfam quanto os demais firmantes da carta solicitam aos países doadores a se comprometerem em não converter a ajuda ao Haiti em uma nova dívida. Da mesma forma, ressaltam que rechaçam o fato de empresas privadas multinacionais aproveitarem o desastre para realizar negócios milionários durante a reconstrução do país.

"Igualmente, exigimos que os recursos destinados para o auxílio e a reconstrução não gerem novo endividamento, nem que sejam impostas condicionalidades ou qualquer outra forma de imposição externa que desvirtue esse objetivo, como é prática das Instituições Financeiras Internacionais, como o Banco Mundial, o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] e o FMI [Fundo Monetário Internacional], e os chamados ‘países doadores'", destacam na carta.

Na ocasião, também pedem o fim da militarização estrangeira no país caribenho, ocupado pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) desde 2004. Na opinião das organizações firmantes da carta, a Minustah - formada por militares de Estados Unidos, Brasil, Canadá, França, entre outros - representa uma das políticas equivocadas implementadas no país. Para eles, a reconstrução do Haiti deve ser a partir do próprio povo, respeitando a opinião e a soberania do país.

"Nesse sentido, rechaçamos a militarização do país como uma falsa resposta ao recente desastre e a medida unilateral de Estados Unidos de enviar mais de 20.000 soldados para resguardar seus interesses econômicos e geopolíticos. A ocupação das tropas nos últimos seis anos, mediante a Minustah, não contribuiu efetivamente para a estabilização nem para a provisão de infraestrutura e bens públicos; e nada indica que a manutenção destas políticas seja efetiva daqui em diante.", consideram.


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