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O pedido de Tiago e João: Nada disso entre nós

O pedido de Tiago e João: Nada disso entre nós
15 de outubro de 2018 CEBI Comunicação
Leia a reflexão sobre Marcos 10,35-45, o texto pertence a José Antonio Pagola.
Boa leitura!

A caminho de Jerusalém, Jesus adverte os seus discípulos do destino doloroso que o espera e aos que sigam os seus passos. A inconsciência dos que o acompanham é incrível. Todavia, hoje continua a repetir-se.

Tiago e João, os filhos de Zebedeu, afastam-se do grupo e aproximam-se sozinhos de Jesus. Não necessitam dos outros. Querem ficar com os lugares mais privilegiados e ser os primeiros no projeto de Jesus, tal como eles o imaginam. A sua petição não é uma súplica, mas uma ridícula ambição: “Queremos que faças o que te vamos a pedir”. Querem que Jesus os coloque acima dos outros.

Jesus parece surpreendido. “Não sabeis o que pedis”. Não entenderam nada. Com grande paciência, convida-os para que se perguntem se são capazes de partilhar do seu destino doloroso. Quando se apercebem do que se passa, os outros dez discípulos enchem-se de indignação contra Tiago e João. Também eles têm as mesmas aspirações.

A ambição divide-os e confrontam-se. A procura de honras e protagonismos rompe sempre a comunhão da comunidade cristã. Também hoje. Que pode ser mais contrário a Jesus e ao seu projeto de servir a libertação das pessoas?

O fato é tão grave que Jesus “reúne-os” para deixar claro qual é a atitude que deve caracterizar sempre os seus seguidores. Conhecem bem como atuam os romanos, “chefes dos povos” e “grandes” da terra: tiranizam as pessoas, submetem-nas e fazem sentir a todos o peso do seu poder. Pois bem, “vós não fareis nada disso”.

Entre os seus seguidores, tudo tem de ser diferente: “Quem quiser ser grande, seja servidor; e quem quiser ser o primeiro, seja escravo de todos”. A grandeza não se mede pelo poder que se tem, o cargo que se ocupa ou os títulos que se ostenta. Quem ambiciona estas coisas, na Igreja de Jesus, não se faz maior mas mais insignificante e ridículo. Na realidade, é um estorvo para quem quer promover o estilo de vida pretendido pelo Crucificado. Falta-lhe um traço básico para ser seguidor de Jesus.

Na Igreja, todos temos de ser servidores. Temos de nos colocar na comunidade cristã, não desde cima, desde a superioridade, o poder ou o protagonismo interesseiro. Porém, desde baixo, desde a disponibilidade, o serviço e a ajuda aos outros. O nosso exemplo é Jesus. Não viveu nunca “para ser servido, mas para servir”. Este é o melhor e mais admirável resumo do que ele foi: servir.

Texto de José Antonio Pagola.